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PERDÃO
Celeste Carneiro
Perdoa-me
se te feri.
No
jardim do meu coração cultivei
uma roseira pensando
em ofertar-te, numa ocasião oportuna,
a mais linda rosa.
E
todos os dias eu cuidava para que ela crescesse
e florisse, exalando o perfume delicado
que o vento gentil espalharia.
As
rosas começaram a desabrochar.
Escolhi,
então, a mais mimosa, a mais bela,
a mais perfumada.
E
corri ao teu encontro para oferecer-te.
Mas,
oh! desastrada que sou!...
Na minha impetuosa carreira as pétalas
delicadas foram caindo,
sem que eu ao menos percebesse,
e ao te encontrar, num gesto brusco e desajeitado,
fiz com que retivesses nas mãos tão-somente
a desnuda haste,
repleta apenas de espinhos...
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