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Por que a Gente
Fica Triste?
Celeste Carneiro
Todos
nós passamos, durante a vida, por
alguns momentos de tristeza. Há pessoas
que a cultivam sistematicamente; já
outras, a sente com menos freqüência.
Os
motivos são variados. Uns, perfeitamente
justificáveis; outros, de fácil
superação.
Ficamos
tristes com a desencarnação
de um ente querido, com a enfermidade, com
tragédias, com problemas de solução
difícil e desconhecida, com insucessos
e decepções. Ou também
com o cansaço, as carências,
as dificuldades profissionais, financeiras
e de relacionamento.
No
entanto, se observarmos bem dentro de nós,
veremos que, esses mesmos motivos de tristeza,
deixam de sê-los em ocasiões
diferentes, sem que saibamos precisar por
quê. E é assim que nos surpreendemos
felizes, embora “mortos” de
cansaço, ou com problemas difíceis,
ou até mesmo em meio à enfermidade.
Sentimos o passarinho da alegria cantando
em nosso coração enquanto
atravessamos vales sombrios e aparentemente
intermináveis.
Por
que, então, a gente fica triste?
Acreditamos
que, basicamente, são três
os motivos reais de sentirmos tristeza:
1º)
Consciência em desarmonia com as leis
divinas – Ao longo da nossa existência,
desde a criação, vimos passando
por inúmeras experiências.
Umas, nos deixaram pacificados. Outras,
nos distanciaram do amor de Deus, marcando
a culpa em nossa consciência, a exigir
reparação, a fim de que fiquemos
harmonizados com a Sua Lei de Amor. Por
isto, periodicamente, sentimos uma imensa
saudade de Deus, do divino que há
em nós e essa ânsia de nos
reaproximarmos d’Ele repercute no
consciente, como uma inexplicável
tristeza.
Nesse
caso, devemos lembrar que a oportunidade
de refazer caminhos é agora, semeando
flores onde antes espalhamos espinhos. Enfrentando
as dificuldades com o entusiasmo do trabalhador
que tem objetivos superiores a atingir e
não se abate nem repousa enquanto
não alcançar a sua meta.
2º)
Saudade da família espiritual –
Às vezes, durante o sono, nos desprendemos
e vamos ao encontro dos afetos que permaneceram
no Plano Espiritual ou que reencarnaram
distantes de nós. Passamos seis,
sete horas, usufruindo o alimento das almas,
em sua mais pura expressão. Ao retornarmos
ao corpo físico, raramente guardamos
a recordação desses momentos
de felicidade. No decorrer do dia, porém,
acompanhando o bem-estar, toma conta de
nós a tristeza em forma de melancolia
e insatisfação. Sentimo-nos
peregrinos em terras estranhas, ouvindo
idiomas que não nos falam à
alma.
No
Evangelho Segundo o Espiritismo1, encontramos
a bonita mensagem intitulada “A melancolia”,
que nos fará bem ler.
A
vida, na Terra, é breve, muito breve.
Que representa algumas décadas em
relação à eternidade?
Se olharmos a vida, do ponto de vista espiritual,
veremos que ela se acaba aqui, num abrir
e fechar de olhos, para reaparecer do “outro
lado”, mais bela e mais iluminada,
desde que aproveitemos todas as oportunidades
de redenção. E poderemos,
então, reencontrarmos, com os nossos
amores, felizes, enfim.
3º)
Presença de Espíritos sofredores
– Assim como temos, na Espiritualidade,
Espíritos felizes que nos amam, possuímos
também vários afetos que experimentam
desconforto, alguns deles que se colocam
na posição de vítimas
das nossas desconsiderações,
em algumas vidas, onde lhes desprezamos
o carinho e a dedicação que
sentiam por nós.
Esses
Espíritos infelizes buscam a nossa
companhia. Os que agora nos detestam, espreitam
o nosso mundo íntimo, aguardando
momento propício para o revide. Os
que nos admiram vêm em busca de um
lenitivo.
Em
qualquer caso, quando a mão férrea
da tristeza espalhar os seus dedos sobre
o nosso peito, oprimindo o coração,
elevemos a Deus o pensamento e oremos por
esses Espíritos, professores que
a Vida nos oferece, pedindo-lhes perdão
por sermos ainda tão imperfeitos
e termos tão poucas virtudes para
oferecer. Busquemos nos escaninhos do ser,
os melhores pensamentos, as mais doces recordações,
os mais nobres sentimentos de que sejamos
possuidores. E entreguemos os resultados
a Deus, com a mais absoluta confiança
na Sua misericórdia e no Seu ilimitado
amor que supre a todos nós.
...Um
dia, na Terra, não veremos jamais
rostos tristes. Apressemo-nos para que esse
dia não tarde muito.
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