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Pleno Amor
Celeste Carneiro No quintal da casa
que eu morava na Mansão do Caminho,
havia um abacateiro onde os micos gostavam
de passear. Certo dia, um filhote caiu e
buscou se esconder na cozinha, perto da
geladeira. No mesmo instante, a mãe
estava na porta com os olhos assustados,
mostrando os dentes e, numa postura ameaçadora,
tentava resgatá-lo. Acompanhava-a
mais uns quatro ou cinco micos como se fosse
um pequeno batalhão em missão
de resgate em que todos se comunicavam e
enviavam sinais através de seus guinchos
característicos. Houve um pequeno
alvoroço em casa, com as crianças
vibrando com o acontecimento e ao mesmo
tempo tentando ajudar ao filhote a sair
de onde ele se escondera, mas, diante da
mãe ameaçadora, não
podíamos chegar perto. Afastamo-nos
um pouco, ela colocou-o nas costas e o bando
saiu correndo de volta ao abacateiro para
dali seguirem para outras árvores...
Vimos ali a manifestação
do amor, de forma rudimentar, assim como
da solidariedade, do instinto de defesa,
da proteção da prole.
No reino animal o olfato
é a mais antiga raiz de nossa vida
emocional e o sistema límbico, ao
formar-se, fez com que emoções
como a fúria, a paixão, o
pavor e os anseios pudessem se manifestar.
Podemos ver essas emoções
primitivas num cachorro numa noite de São
João no nordeste brasileiro, quando
o som do espoucar dos fogos de artifício
deixam-no enlouquecido de pavor.
Há mais de cem milhões
de anos a formação do neocórtex,
que é considerado pelos cientistas
a sede do pensamento, possibilitou a complexidade
emocional, a consciência sobre o próprio
sentir.
Joanna de Ângelis,
no livro Amor, Imbatível Amor, último
capítulo, aborda com a sabedoria
que lhe é peculiar, a evolução
do amor, desde os homens das cavernas, sentimento
que toca a todos os seres vivos, herdeiros
que somos do Amor Maior que é Deus.
Citando os estudos da Dra.
Robin Kasarjian com relação
a estrutura psicológica do Self ,
onde as emoções primitivas
são consideradas como sendo nossa
subpersonalidade e os sentimentos mais elevados
nossa superpersonalidade, Joanna sugere:
“... em se traçando
uma horizontal, e partindo-se do fulcro
em torno de um semicírculo para baixo,
teríamos as subpersonalidades, e,
naquele que está acima da linha reta,
defrontamos as superpersonalidades, mesmo
que, nas pessoas violentas e mais instintivas,
em forma embrionária.”
Os estudiosos do cérebro
vêm pesquisando as áreas que
mais utilizamos, e com isto, ajudando as
pessoas a se conhecerem melhor ao mesmo
tempo que estimulam o uso desse órgão
de forma integral, através de exercícios
e práticas de comportamento adequados,
o que tem muita relação com
as questões analisadas por Joanna
de Ângelis.
Unindo
esses estudos, o diagrama sugerido por Joanna
ficaria, em resumo, assim:

Todas as manifestações
da subpersonalidade vêm nos acompanhando
desde a aurora da nossa caminhada evolutiva
e fazem parte do nosso ser. Experimentamos
no reino animal para nos defendermos e sobrevivermos,
fomos multiplicando as nuances dessas emoções
e formas de pensar enquanto homens primitivos
e, no decorrer dos milênios, continuamos
aprendendo a conviver conosco mesmo e com
os semelhantes, num processo de autodescobrimento
contínuo que vai nos levando a sentir
a luminosidade da razão banhada pelo
amor incondicional.
A luz divina está
em nós desde o princípio,
pois fomos criados “à imagem
e semelhança de Deus”. Sentir
ainda em nosso viver a larga sombra que
envolve o nosso íntimo não
é motivo para desencanto nem depressão.
Estamos no processo da evolução,
como tantos outros. Na medida que formos
tomando consciência dos pontos obscuros
que precisamos burilar, já estaremos
dando um passo à frente e exercitando
o auto-perdão. Perdoando-nos, desenvolveremos
o auto-amor, a auto-estima, o que nos facultará
o amor ao próximo e a Deus, seguindo
o mandamento de Jesus: “Amarás
a Deus acima de todas as coisas e ao próximo
como a si mesmo”.
Como ajudar ao próximo
se não nos amamos? Como perdoar a
alguém se não nos perdoamos?
Ser maduro psicologicamente,
de acordo com Joanna de Ângelis, é
exatamente amar-se e perdoar-se “quando
se surpreende em erro, pois que percebe
não ser especial ou alguém
irretorquível”.
Vinícius de Morais,
numa de suas músicas, fala de “gente
com os olhos no chão sempre pedindo
perdão, gente que a gente não
vê por que é quase nada...”
Já Caetano Veloso canta que “gente
quer ser gente, quer ser feliz”, pois
“gente nasceu para brilhar”.
Foi o que Jesus ensinou
no memorável Sermão da Montanha:
“Vós sois a luz do mundo...
Vós sois o sal da terra...”
Pastorino explica: “não se
pede que saibamos, falemos ou façamos,
mas que sejamos a luz do mundo”...
Simão
Pedro, que conviveu com o Mestre tão
de perto, demorou um pouco para se converter
em luz, atravessando o limiar da subpersonalidade
para a superpersonalidade. Depois de ouvir
Jesus falar da necessidade dele mesmo se
converter para, depois, confirmar os irmãos,
ouviu-o também, após o martírio
da cruz, indagar-lhe por três vezes
seguidas se O amava. Após escutar
cada resposta encabulada de Simão
Pedro sobre o quanto O amava, o Cristo acrescentou:
“Apascenta as minhas ovelhas.”
Parecia querer dizer que só apascenta
quem ama e para cuidar das pessoas será
fundamental desenvolver esse amor de plenitude,
um amor incondicional, conquistado pela
alma que se burila e se conhece, se ama
e se perdoa, compreendendo-se como um ser
inteiro, com sombras e luzes, caminhando
para a identificação total
com o divino em nós.
Bibliografia:
1
– Amor, imbatível amor - Joanna
de Ângelis
2 – Inteligência emocional –
Daniel Goleman, PhD
3 – Longevidade do cérebro
– Dharma Singh Khalsa, M.D.
6 – O Novo Testamento
7 – Sabedoria do Evangelho –
Carlos Torres Pastorino
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