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Paciência
Celeste Carneiro Na vida, muitas
vezes, é indispensável que
nos dobremos para aguardar que passe a tempestade
embora não fiquemos em inação.
Terminado o clamor da borrasca, seguir à
frente demandando o alvo, mantendo no coração
a paz e na mente a certeza de que Deus é
o Objetivo.
(Simbad /DPF – Poemas de Paz –
2 de junho)
Em nossa existência, passamos periodicamente
por momentos difíceis. São
as provas ou, quase sempre, as expiações,
naturais e necessárias na caminhada
evolutiva do espírito. Elas se apresentam
como problemas demorados, de difícil
solução. Aparecem no seio
familiar, em questões afetivas, profissionais,
assim como em enfermidades físicas
e mentais.
Outras vezes se apresentam
em forma de testes, quando situações
passageiras avaliam os nossos valores espirituais.
Em qualquer desses casos – testes,
provas ou expiações necessitamos
nos revestir da paciência uma profunda
e constante paciência que nos irá
auxiliar nesses momentos.
A paciência, segundo
a definição de Aurélio
Buarque de Holanda, é a “virtude
que consiste em suportar as dores, incômodos,
infortúnios, etc., sem queixa e com
resignação. Perseverança
tranqüila”.
Se nós fizemos tudo o que foi possível
para nos livrarmos daquilo que nos aborrece
e incomoda, e, mesmo assim continuamos sofrendo,
paciência, é que ainda não
fomos liberados da experiência corretiva.
Podemos orar e pedir a Deus
que nos conceda a “carta de alforria”,
dando demonstrativo de que aprendemos a
lição e não incorreremos
mais nos mesmos erros de antes.
É como se entrássemos
com um pedido na Justiça. Todo processo
demora meses, anos, para vir a resposta,
e só nos resta esperar. Enquanto
esperamos, vamos semeando luzes no caminho,
para, no futuro, nossa estrada se encontrar
mais clara e mais fácil de ser trilhada...
Rajneesh diz que “paciência
significa estar pronto para esperar infinitamente.
Se você está pronto para esperar
infinitamente, então nada é
perdido.” (1)
Às vezes perseveramos por muitos
e muitos anos e, momentos antes de conseguirmos
o que almejamos, cansamos e desistimos.
Daí a necessidade de nos predispormos
a esperar por todo o tempo e enquanto isso
nos ocuparmos do tempo presente, acreditando
que o melhor momento é agora, a melhor
pessoa é a que se encontra à
nossa frente e o que melhor podemos fazer
é o que fazemos agora.
Digamos que temos um compromisso
numa cidade próxima. Tomamos todas
as precauções para que a viagem
transcorra sem problemas e saímos
de casa com antecedência, a fim de
que imprevistos não atrapalhem o
cumprimento do nosso dever. Na estrada o
carro quebra, apesar dos cuidados, ou existe
um acidente que impede a passagem dos demais
veículos e não há nada
a fazer, só esperar, enquanto as
providências são tomadas para
a nossa liberação. O mesmo
ocorre com os nossos propósitos não
satisfeitos no tempo esperado.
Esta, é a paciência perante
as circunstâncias adversas da vida.
Necessitamos também
do exercício da paciência no
trato com as pessoas. Em O Evangelho Segundo
o Espiritismo, Um Espírito Amigo
nos fala na mensagem A paciência:
“A caridade que consiste na esmola
dada aos pobres, é a mais fácil
de todas. Mas há uma bem mais penosa
e, conseqüentemente, mais meritória:
perdoar àqueles que Deus colocou
sobre nosso caminho para serem os instrumentos
dos nossos sofrimentos e submeterem à
prova nossa paciência.” E mais
adiante: “O fardo parece menos pesado
quando se olha para o alto, do que quando
se curva a fronte para a Terra.” (2)
Ergamos, portanto, nossa cabeça para
o alto, pedindo a Deus que nos dê
coragem, força, esperança
e fé, a fim de termos a paciência
necessária diante dos testemunhos
que a Vida nos pede, assim como paciência
para conosco, pois a evolução
não se dá de um momento para
outro, compreendendo que Deus é Amor,
e que tudo o que passamos é a manifestação
desse Amor nos conduzindo para o caminho
reto da harmonia íntima, em sintonia
com Ele, em direção à
Luz.
Busquemos, nessa trajetória, ajudar
aos que se encontram em maiores dificuldades
que as nossas, juntando os pedaços
do vaso partido do nosso sentimento para
fazermos vasilhas onde encheremos da água
da consolação, para refrigerar
e saciar a sede dos que não têm
recursos ainda para suprirem as suas próprias
carências.
E Deus, por certo, nos abençoará,
multiplicando nossas energias.
(1) Nem água, nem lua – Bhagwan
Shree Rajneesh (Osho) – quinto discurso
(2) Capítulo IX
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