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Lições
para a Felicidade
Celeste Carneiro
Sempre
que o ano está chegando ao final
e até o princípio de um novo
ano, o que mais ouvimos entre as pessoas
são os votos de um Feliz Natal, um
Feliz Ano Novo!
E
ficamos a pensar: o que nos faria felizes?
Quais são os nossos desejos para
alcançarmos a tão esperada
felicidade?
No
Livro Sagrado, quando Davi estava em apuros
por que o rei Saul, com inveja dos seus
sucessos, desejava matá-lo, o filho
do rei, Jônatas, muito afeiçoado
a Davi, lhe diz em particular: O que tu
desejares, eu te farei. (1)
Davi
pede-lhe a colaboração num
plano para escapar do rei Saul, no que é
atendido.
Em
outro trecho deste livro é narrado
o sonho de Salomão, filho do rei
Davi: no início do seu reinado Iahweh
lhe aparece em sonhos, dizendo-lhe: Pede
o que devo te dar.
Salomão,
após considerar sua juventude e inexperiência
no comando de um reino, expressa o seu desejo:
Dá, pois, a teu servo um coração
que escuta para governar teu povo e para
discernir entre o bem e o mal, pois quem
poderia governar teu povo, que é
tão numeroso?
Esta
resposta agrada ao Senhor, que lhe diz:
Porque
foi este o teu pedido, e já que não
pediste para ti vida longa, nem riqueza,
nem a vida dos teus inimigos, mas pediste
para ti discernimento para ouvir e julgar,
vou fazer como pediste: dou-te um coração
sábio e inteligente, como ninguém
teve antes de ti e ninguém terá
depois de ti. E também o que não
pediste, eu te dou: riqueza e glória
tais, que não haverá entre
os reis quem te seja semelhante. E se seguires
os meus caminhos, guardando os meus estatutos
e os meus mandamentos como o fez teu pai
Davi, dar-te-ei uma vida longa. (2)
Salomão
se refere a “teu povo” e não
“meu povo”, compreendendo a
missão que recebeu de orientar uma
nação que, antes de tudo,
era de Deus e que a ele cumpria ser fiel
ao mandato recebido pelo Senhor. Para isso,
precisava de um coração que
soubesse escutar e que tivesse discernimento
ou sabedoria para agir com equilíbrio
sempre. Pensar assim faz uma grande diferença
na maneira de se conduzir na vida.
Se
algum emissário do Senhor se apresentasse
a nós, perguntando-nos o que desejamos
para nos sentirmos felizes, o que responderíamos?
Paremos um pouco de ler para relacionar
os nossos desejos.
*
A
fim de que os benfeitores espirituais nos
atendam é necessário que criemos
mentalmente o que aspiramos, dando a nossa
contribuição para eles concretizarem
no plano material o que fazemos existir
no plano astral. Para isso, precisamos do
poder da concentração, o que
nos faz lembrar André Luiz narrando
o episódio da construção
de um cenário no mundo espiritual,
com a contribuição mental
dos presentes, cada grupo encarregado de
uma parte da paisagem.
André
Luiz inicialmente não conseguiu preencher
a paisagem junto ao lago, com vegetação
florida e agradável. Só depois
de algum esforço, lembrando com emoção
do jardim de sua casa na Terra, é
que ele preenche a área que estava
incumbido de criar com o poder de sua mente.
(3)
A
forma de pedir também é importante.
O uso das palavras deve ser sempre com idéias
positivas, pois o nosso cérebro não
registra a palavra “não”
e quando pedimos usando o negativo, gravamos
a imagem negativa, fazendo com que se realize
o que não queremos...
Por
exemplo: Eu não quero engordar! Fica
registrado como eu quero engordar. Ou: Desejo
me casar com um homem que não seja
grosseiro, viciado e preguiçoso.
Nossa imaginação já
registrou um homem grosseiro, viciado e
preguiçoso.
Portanto,
peçamos como Davi e o Rei Salomão,
o que queremos que nos aconteça,
mentalizando com nitidez, com cores, sons
e cheiros tudo de maravilhoso que sonhamos
para nos sentirmos felizes. E, ao imaginarmos
esse paraíso terrestre, sintamos
como se já estivesse acontecendo,
colocando no momento presente.
*
No
livro Lições para a Felicidade,
de Joanna de Ângelis e psicografado
por Divaldo Franco, ela dá o roteiro
para atingirmos esse objetivo. (4)
Baseando-se
em O Livro dos Espíritos e tomando
a questão de número 920: Pode
o homem gozar de completa felicidade na
Terra? Joanna vai traçando um roteiro
de consciência, discernimento e estímulo
para sermos felizes dentro do que é
possível sê-lo nos dias atuais
aqui na Terra.
Inicialmente
nos fala de que os bens materiais, assim
como as posições sociais,
são passageiros. Um rei podia vir
a se tornar um escravo: bastava perder a
guerra e continuar vivo, ou ser capturado
e conduzido para um país distante,
como aconteceu com os africanos trazidos
para as Américas. Assim também
os que se encontram em posições
de destaque nos dias atuais, podem ser vistos
em manchetes da imprensa em situação
de falência ou infelicidade.
Vivendo
num planeta em transição para
um mundo melhor, não podemos esquecer
das dificuldades que nos impulsionam para
o progresso.
Diz
ela na página 57:
Estes
são os graves dias que definirão
o futuro da Humanidade e do planeta terrestre.
Renasceste neste período, a fim de
desfazeres o mal que semeaste no passado.
Semelhantes
a crianças inconseqüentes, em
vidas anteriores espalhamos espinhos pela
estrada, perigos e embaraços, e o
Pai nos educa agora, esperando que limpemos
os caminhos por onde seguirão aqueles
seus servidores que virão implantar
o Reino de Deus na Terra...
Para
isso, necessitamos de seriedade e trabalho,
oração e amor, como sugere
Joanna nessa mesma mensagem.
Isto
porque:
Estando
o planeta recebendo multidões de
Espíritos primitivos que se encontravam
retidos em regiões inferiores da
Erraticidade, de modo que não prejudicassem
o fenômeno do progresso, da cultura,
da ciência e da tecnologia, agora
têm a sua grande chance, ao mesmo
tempo convocando à ação
de benemerência para com eles, os
mais adiantados que lhes experimentam a
agudeza da perturbação.
Sem
dar-se conta, estão trabalhando pelo
progresso do próximo, pois que, dessa
forma, o mesmo se sentirá convidado
a servir e a amar aqueles que se tornam
difíceis de ser afeiçoados,
em face da agressividade de que são
portadores. (pág. 115)
Graças
ao distanciamento desses seres, a Terra
atingiu o patamar de progresso que presenciamos
hoje. Crescemos no intelecto, mas descuidamos
da amorosidade que nos faz ver as necessidades
do próximo, escutando os apelos de
seu coração.
É
impressionante observar como poucos cristãos
dão-se conta do que está ocorrendo
à sua volta e poderá atingir
o seu castelo de refúgio e de ilusão.
Mesmo quando vêm à superfície
as denúncias contra a dignidade do
seu próximo e eles aparecem como
fantasmas apavorantes, esses cristãos
cerram os olhos para não os ver e
tapam os ouvidos, a fim de não escutarem
o clamor das suas vozes, porque isso os
perturba e inquieta, tirando-lhes alguns
momentos de sono ou de excesso de alimentos.
...
E confessam a crença em Deus, a Quem
dizem amar, em Jesus, que tomam por modelo
teórico, mas não Lhe seguem
os ensinamentos libertadores.
Perfumados
e bem vestidos, evitam o contato com eles,
nunca se permitem ir aos porões,
temem-nos e abandonam-nos, quando deveriam
visitá-los e amá-los, procurando
conviver com eles, trazendo-os à
luz do dia da compreensão de todos.
Eles
ficam nos seus porões, e os cristãos
nos seus esconderijos de luxo e de proteção,
com medo deles, aqueles a quem Jesus procurou
trazer para o centro, retirando-os do abismo
escuro em que se refugiavam. (pág.
142)
Alguns
já se dedicam a estes excluídos
do centro, através das ONGs e de
programas governamentais, bem como o trabalho
solidário das Instituições
religiosas e ações isoladas
de quem se conscientizou dessa urgência.
Nesse
trabalho não nos falta a assistência
dos amigos espirituais, amparando, inspirando,
fortalecendo, o que, por certo, nos transmite
um pouco da felicidade de que eles já
são portadores.
Não
impedem, porém, esses bondosos Espíritos,
a ocorrência dos fenômenos que
propiciam robustecimento das resistências
morais. Antes agradecem a Deus que eles
surjam, porque disso advirão incomparáveis
benefícios para os seus pupilos,
que igualmente adquirirão sabedoria
ante os insucessos aparentes, aprendendo
para sempre as lições de amor
com que o Pai a todos brinda, oferecendo-lhes
o mesmo recurso de crescimento interior.
(pág. 66)
Para
perceber-lhes as presenças atuando
em nossa vida com generosidade e desvelo,
é preciso adquirir hábitos
específicos e zelar para conservá-los,
até que se nos tornem instintivos
e imprescindíveis.
Quantas
tragédias poderiam ser evitadas,
se as criaturas se equipassem dos recursos
da oração e da compaixão,
desenvolvendo campos psíquicos de
harmonia interior, a fim de serem melhormente
inspiradas e conduzidas, permitindo
que ocorram esses milagres de amor no transcurso
das suas existências! (pág.
76)
O
hábito da oração facilita
esse contato, mas o estado de meditação
fará com que ouçamos os seus
conselhos de sabedoria. Na oração
falamos com Deus; na meditação,
quando silenciamos a mente, escutamos a
Deus, compreendendo os seus desígnios.
O
silêncio é uma necessidade
imprescindível para a manutenção
da saúde e da paz, equivalendo a
um alimento que se absorve para a manutenção
orgânica.
Por meio da sua prática são
eliminadas algumastoxinas que envenenam
os sistemas nervoso central e o endócrino,
propiciando melhor fluidez da energia que
os vitaliza.
Aprendendo a silenciar, o ser humano consegue
bem ouvir, discernir com mais acerto e compreender
melhor as conjunturas que o envolvem, assim
como aquelas que cercam as demais pessoas.
(pág.121)
Assim
fazendo, teremos a diretriz segura para
enfrentarmos as dificuldades dos dias atuais.
Estaremos equipados para resistirmos as
intempéries, os confrontos com esses
espíritos primitivos de que a Mentora
nos fala, tanto os que estão encarnados
quanto os que permanecem no plano espiritual,
aguardando a oportunidade da reencarnação.
Do
outro plano, esses irmãos nossos
lançam vibrações agressivas
e buscam a todo custo impedir a vitória
do Bem, atacando a quem ao Bem se associa...
Somente
uma atitude de paz resiste à pertinácia
deles, e apenas a não-resistência
desmonta-Ihes as armas da agressividade.
As ações de nobreza que realizes,
dar-te-ão estrutura espiritual
para que não te vençam.
Com seriedade medita em torno destes tumultuados
dias que vives. (pág. 61)
Com
determinação, sinceridade
de propósito e confiança,
iremos avançando rumo ao glorioso
porvir.
Esses
embates com o mal que reina fora de nós,
em torno de nós, levar-nos-ão,
mais cedo ou mais tarde para a consciência
do mal que ainda reina em nós e necessitamos
enxergá-lo para transformá-lo
em bênçãos, em virtudes
que felicitarão o nosso viver. Para
isso, é preciso ter coragem e perseverança,
olhando o nosso interior com atenção,
paciência e amorosidade.
Somente
por meio da coragem para encontrar a consciência,
mediante uma análise tranqüila
das possibilidades de que dispõe,
é que a criatura humana logrará
liberar-se da situação conflitiva
que a domina, facultando-se selecionar
os valores reais daqueles ilusórios
aos quais atribui significados, mas que
sempre deixam frustração e
vazio existencial. (pág. 172)
Assim,
a felicidade real e duradoura se instalará
em definitivo em nosso coração,
ampliando o amor que nos trará enormes
benefícios.
À
medida que ames, mais experimentarás
organicamente o fenômeno da vasodilatação,
facilitando a irrigação da
bomba cardíaca.
A alegria de amar renovará as tuas
células sob o estímulo de
substâncias fomentadoras do equilíbrio,
que fortalecerão o sistema imunológico,
evitando contaminações
perniciosas.
A emoção do prazer de amar
se dilatará por todo o organismo,
e conhecerás a felicidade que independe
de posses e de projeções sociais,
em internas reações em cadeia,
que te conduzirão para as vitórias
sobre as vicissitudes e circunstâncias
aziagas. (pág. 177)
*
Quando
Jesus perguntou ao cego de Jericó:
Que queres que eu te faça? Ele respondeu:
Senhor, que eu torne a ver! (5)
Que
possamos também enxergar a realidade
que nos cerca com outros olhos: um olhar
sábio e compassivo, buscando a felicidade
de nos filiarmos aos Servos do Senhor, trabalhando
incansavelmente para a construção
do Reino do Amor aqui na Terra e em nossos
corações!
1º
de Janeiro de 2005
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Referências:
1. A Bíblia – I Samuel –
20:4 – Tradução João
Ferreira de Almeida
2. A Bíblia de Jerusalém –
1 Reis – 3:4
3. Obreiros da Vida Eterna, cap. III –
André Luiz / Chico Xavier
4. Lições para a Felicidade
– Joanna de Ângelis / Divaldo
P. Franco
5. A Bíblia – Lucas –
18:41
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