| |
Esperança
*
Celeste Carneiro
Há momentos, em nossas vidas, em
que os problemas se tornam tão difíceis
de serem superados que, por pouco, não
sucumbimos. Às vezes, eles se agrupam
e aparecem todos de vez: ou, permanecem
por tanto tempo, que nossas resistências
quase que se esvaem; ou, ainda, são
dificuldades tão íntimas,
tão ocultas, que só Jesus
pode aliviar...
Em
momentos assim, se faz necessário
trazer à tona a esperança,
essa companheira que nos auxiliará
a percorrer túneis compridos e escuros,
com a certeza inabalável de que,
mais à frente, há claridade
e conforto. O apóstolo Paulo nos
diz: “Ora, esperança que se
vê, não é esperança;
pois o que alguém vê, como
o esperar? Mas, se esperamos o que não
vemos, com paciência o aguardamos”.
(1)
Com
ela, busquemos Jesus, o amigo de todas as
horas. Quem sabe Ele já não
se encontra ao nosso lado, após haver
providenciado melhoras para o nosso caminho?
Quando houve a crucificação
de Jesus, seus discípulos, perplexos,
viram o mundo escurecer e a dor profunda
seguiu-lhes os passos, de perto.
Conta
Lucas (2) que, naquele mesmo dia, dois deles
seguiam para Emaús, aldeia próxima
de Jerusalém. No caminho, comentavam
sobre o ocorrido, quando alguém se
aproxima e indaga o motivo de suas preocupações.
Após ouvi-los, repreendendo-os pela
falta de fé nas Escrituras, passa
a lhes falar de tudo o que ela profetiza
sobre o Cristo.
A
viagem se torna, então, rápida,
e o casario da aldeia já se avista.
O desconhecido faz menção
de seguir adiante de Emaús, mas os
discípulos rogam: “Fica conosco,
porque é tarde e o dia já
declina”.
Aceitando
o convite, entra na casa, e, quando estão
à mesa, ele parte o pão e
lhes dá. Nesse instante os discípulos
reconhecem o Mestre, que desaparece de suas
vistas.
Inebriados de alegria, comentam sobre o
amor imenso que fazia arder seus corações
enquanto o escutavam e levantando-se, retornam
à Jerusalém, para dar a notícia
aos demais companheiros.
A
tristeza e o desencanto dão lugar
à alegria e à certeza de que
não existe separação,
nem tampouco sombras eternas. Quando pensamos
que tudo se acabou, Jesus chega e nos renova
a esperança, mostrando-nos caminhos
de luz e paz.
O
Evangelho é rico desses ensinamentos.
Em
João (3), por exemplo, vimos a cura
do paralítico que freqüentava
o tanque chamado Betesda.
Havia
trinta e oito anos que estava enfermo. (Quando
nós passamos uma semana acamados,
ficamos inquietos, como se a cura não
fosse chegar nunca, imaginemos trinta e
oito anos num leito!)
Jesus
se aproxima e, com sabedoria, lhe pergunta
se quer ser curado. Demonstrando falta de
esperança, o paralítico responde:
“Senhor, não tenho ninguém
que me ponha no tanque, quando a água
é agitada; pois enquanto eu vou,
desce outro antes de mim”.
O Mestre, então, lhe diz: “Levanta-te,
toma o teu leito e anda”.
Imediatamente se vê curado e sai,
levando o seu leito.
Mais
tarde, Jesus o procura no templo e adverte
para não votar a pecar, a fim de
que não lhe ocorra coisa pior.
Também
Zaqueu sofria amargamente, embora de forma
diferente (4). Sendo o maioral dos publicanos
e muito rico, era detestado por todos, que
o consideravam ladrão. Apesar da
abastança em que vivia, não
era possuidor da riqueza da amizade. Com
a mente astuciosa, sagaz, afastara os possíveis
amigos e vivia atormentado.
Sabendo
que Jesus iria passar pela cidade, busca
avidamente um meio de o avistar. Sendo de
estatura baixa e dando menos importância
à sua posição social,
sobe numa árvore, de onde pode admirar
a beleza pacificadora do Mestre.
Jesus,
para surpresa de todos e perplexidade de
Zaqueu, pára junto à árvore
e diz que ficará hospedado em sua
casa.
Zaqueu,
que nada esperava, recebeu tudo. Detestado
por todos e amado pelo Messias...
Arrebatado por grande alegria, na hora da
refeição, levanta-se e anuncia
a retirada do “homem velho”
para dar lugar ao “homem novo”,
tocado profundamente por Seu amor. Distribui
sua riqueza a não se envergonha de
confessar, diante de todos, a sua fragilidade,
iniciando o percurso por uma senda de luz.
Qualquer
que seja a nossa dor, Jesus é o Médico,
Amigo e Irmão, sempre compassivo
e amoroso, suavizando as asperezas do nosso
caminho.
Para
os discípulos do caminho de Emaús,
Ele trouxe o alívio para as suas
emoções; ao paralítico,
no tanque Betesda, deu a cura física;
e para Zaqueu, o refrigério de suas
inquietações mentais.
Todos
eles, após serem tocados por Seu
amor, levantaram-se e seguiram resolutos,
de alma renovada e feliz, rumo ao Bem sem
limite. Ao paralítico, houve a recomendação
de tomar seu leito, como a dizer da necessidade
de se conservar a lembrança do instrumento
de correção.
Quando se tornar tarde em nossa vida, e
a esperança declinar, busquemos Jesus
e estejamos atentos, porque, ao nosso lado,
imperceptivelmente, Ele se encontra, providenciando
recursos para fazer arder o nosso coração
de um infinito amor feliz...
Bibliografia:
Epístola
de Paulo aos Romanos – Cap. 8, vers.24
e 25
(2)
Lucas (24 -13 a 35)
(3)
João (5 – 1 a 18)
(4)
Lucas ( 19 – 1 a 10)
(
* Publicado
no Jornal Correio Fraterno do ABC (SP) –
fevereiro de 1988)
|
|