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MANDALAS TERAPÊUTICAS
Celeste Carneiro
As
mandalas sempre exerceram um grande fascínio
sobre mim. Era intrigante observar suas
formas, as figuras colocadas simétricamente,
a variedade de cores e de círculos.As
mandalas tibetanas e indianas eram ricas
de símbolos que eu queria apreender.
Em
1975, no Museu de Arte de São Paulo,
aconteceu uma exposição em
homenagem ao centenário de Carl Gustav
Jung, organizada por Nise da Silveira, a
psiquiatra que criou o Museu de Imagens
do Inconsciente, no Rio de Janeiro. Eram
mandalas pintadas por pacientes portadores
de deficiência mental. Olhando aquelas
pinturas pude perceber o valor incomparável
que esse tipo de trabalho exerce sobre o
equilíbrio do ser humano. Os pacientes
da Dra. Nise da Silveira, instintivamente,
pegavam os pincéis ou os lápis
coloridos e iam fazendo círculos,
colocando imagens dentro deles. Alguns faziam
o centro do círculo, outros não
se importavam com o centro...
Quando comecei a dar aulas particulares,
intensifiquei o estudo sobre as mandalas,
pedindo, oportunamente, que alguns alunos
a pintassem.Um dia um aluno chegou com a
fisionomia um tanto transtornada, trazendo
algum problema íntimo que eu desconhecia.
Dizia não estar em condições
de prosseguir com o exercício pois
“não estava com cabeça
para nada”!
Pedi então que desenhasse e pintasse
uma mandala do jeito que quisesse.
Na semana seguinte ele chegou radiante.
Disse que depois de haver pintado a mandala
na aula anterior sentiu-se outra pessoa:
mais calmo e mais confiante; percebeu que
seus problemas não eram tão
intransponíveis assim, e que o desenho
lhe ajudou na solução daquilo
que vinha lhe angustiando.
Repeti a experiência com outros alunos
e o resultado era sempre semelhante.Alguns
nem queriam criar suas mandalas. Então
eu pedia que escolhesse entre vários
modelos de mandalas disponíveis,
e pintasse simplesmente, escolhendo as cores
intuitivamente, sem racionalizar muito.
O efeito era o mesmo.
Na Escola Estadual Jesus Cristo, onde lecionava,
em Salvador-BA, pedia também aos
alunos para que criassem e pintassem mandalas.
Era bonito ver a classe cheia de alunos,
em torno de 50, desenhando e pintando em
silêncio, aquietados pela mágica
influência de um desenho milenar!...
O estudo sobre a simbologia das cores, em
obras de diversos autores, me fez perceber,
através das pinturas dos alunos,
os que se encontravam com dificuldades maiores
no campo emocional. A princípio os
encaminhava para terapias especializadas
e mais tarde, quando comecei a fazer o atendimento
individual, passei a orientá-los
no processo de autoconhecimento. Estudando
sobre a mandala, especificamente, encontrei
recursos para melhor ajudar as pessoas,
compreender a línguagem dos símbolos,
da disposição das figuras
no papel e a simbologia das cores e suas
influências.
Percebi também que para beneficiar
alguém com essa prática não
é imprescindível uma “interpretação”
da mandala. O simples fato da pessoa entrar
em contato com essa imagem arquetípica,
milenar, já traz benefícios.
Para quem está em crescimento espiritual,
buscando o auto-conhecimento e autoburilamento,
é uma ferramenta de muita utilidade.
Significado
Mandala,
palavra sânscrita, significa círculo
e é associada a instrumento que facilita
a meditação e o autoconhecimento,
a ritos mágicos, assim como é
usada, na arquitetura sagrada, como planta
de templos, tendo relação
também com o mundo exterior. Executada
desde os primórdios da civilização,
foi na Índia e no Tibete que encontrou
maior utilização consciente,
sendo difundida por todo o mundo, sensibilizando
aqueles que estudam a alma humana e a busca
pelo divino.
Carl G. Jung estudou-a em profundidade e
junto com outros cientistas aplicou essa
técnica de desenho para tratar pessoas
e estimular o processo de crescimento do
ser em busca da chamada individuação.
Nela estão contidos os símbolos
sagrados, como a circunferência, o
círculo, o quadrado e o triângulo.
Estes símbolos procuram fazer a integração
do céu com a terra, do masculino
com o feminino, do que está em cima
com o que está embaixo, da alma com
a matéria, do movimento com a estagnação,
do positivo com o negativo, buscando o equilíbrio,
o caminho do meio, a consciência da
totalidade.
A mandala mostra a alma humana com todos
os seus enigmas, suas buscas, conflitos,
aspirações.
Ao contemplarmos uma mandala estaremos entrando
em contato com nosso íntimo, com
a energia espiritual sagrada de todas as
épocas e de todos os lugares, havendo
uma unificação com o cosmo
e com o divino. |
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