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A Crise e a Crisálida
Celeste Carneiro
Quando
uma porta se fecha, outra se abre; mas às
vezes ficamos tanto tempo olhando para a
porta fechada que não vemos a outra
que já se abriu para nós.
Alexander Graham Bell

Crisálidas de borboleta
O estágio de crisálida* em
muitas borboletas é o único
aonde elas pouco se movem ou não
o fazem. Entretanto, muitas pupas de borboletas
são capazes de mover seus segmentos
abdominais para produzir sons que possam
afugentar potenciais predadores. Dentro
das crisálidas ocorre o processo
de crescimento e diferenciação
sexual. As borboletas adultas emergem destas
e expandem suas asas para bombear sangue
pelas veias. Esta rápida e brusca
mudança é chamada metamorfose.
O mesmo processo ocorre com as mariposas,
mas como às vezes a crisálida
contém uma espécie de seda
protetora, a pupa é chamada de casulo.
(*
pt.wikipedia.org/wiki/Crisálida
)
Periodicamente todos nós passamos
pelo processo de transformação.
Umas, são pequenas, sem muitos abalos;
outras são grandes e chegam até
nós como um tufão que vai
levando tudo pela frente, mudando todo o
cenário onde nos encontramos solidamente
instalados...
Quando
esse tipo de mudança ocorre em nossa
vida, geralmente ficamos perplexos, tensos,
desesperançados, magoados, enraivecidos,
descrentes, sem rumo certo, ou qualquer
outra reação que nos abala
emocionalmente.
O
efeito dessas emoções é
devastador no ser humano. Quase sempre é
acompanhado por enfermidades de curta ou
longa duração, a depender
de como a pessoa reage a esse período
de mudanças.
Falo
mudanças porque são muitos
os fatores envolvidos num processo como
esse.
Esse
tufão em nossa vida pode ser:
- a
morte de um ente querido e especial
-
desemprego
-
transferência inesperada para outra
cidade
-
mudança de grupo de atividade social
a que pertencemos
-
troca súbita de status social
-
separação afetiva
-
grande mudança interior
Quando
essas alterações vão
se repetindo em nossa vida, adquirimos uma
certa habilidade em detectar a chegada de
um sopro renovador.
Vejamos
alguns sinais característicos:
- o
que antes era tão estável
passa a ficar incerto
-
passamos a encontrar portas fechadas
-
pessoas amigas mudam sua forma de relacionar-se
conosco
-
os recursos para nossas atividades ficam
escassos
-
adoecemos com facilidade
-
ficamos deprimidos ou irritados sem saber
mesmo porquê
-
paira no ar um clima estranho e desconfortável
-
sonhamos, temos pressentimentos ou somos
alertados por alguém sensitivo
-
perdemos o controle da situação
Lembramos
da cena em que os apóstolos passaram
a noite tentando pescar e nada encontraram.
Até que perto do amanhecer Jesus,
ressurgindo inesperadamente após
sua crucificação, se aproxima
da praia onde os pescadores estavam e orienta-os:
Lançai vossas redes para a direita!
E a embarcação quase não
suporta o peso de tantos peixes que eles
recolheram em suas redes!... (1)
Esses
sinais listados nos mostram que estamos
lançando as redes para o lado da
escassez... E a crise chega para nos mostrar
o lado direito, o lado da amorosidade e
da conexão com o Cristo interior.
Também
precisamos estar atentos para o inesperado,
seguindo o conselho de Heráclito:
Espere o inesperado ou você não
o encontrará. (2)
Chegando
o cansaço e a noite escura da alma,
surge uma luz que guia para novos rumos,
para novas oportunidades onde continuaremos
o serviço que nos foi confiado.
O
importante é sentir que não
estamos sós. Alguém, no mundo
mais sutil, nos orienta na direção
certa, protege-nos nesse período
de solidão e de brumas à nossa
volta, cuida da crisálida que somos
nós, confiantes de que teremos paciência
suficiente para nos transformarmos em borboleta
leve e multicolorida que embelezará
as paisagens do mundo.
É
essencial fazer silêncio interior
para abrir o coração à
escuta.
Estamos
a serviço de Deus na Terra, e Ele,
melhor do que nós sabe aonde deveremos
estar.
Out./2006
Referências:
(1) João – 21:6
(2) von Oech, Roger. Espere o inesperado
ou você não o encontrará:
uma ferramenta de criatividade baseada na
ancestral sabedoria de Heráclito.
Rio de Janeiro; Bertrand Brasil, 2003
“Um
dia, uma pequena abertura apareceu num casulo;
um homem sentou e observou a borboleta por
várias horas, conforme ela se esforçava
para fazer com que seu corpo passasse através
daquele pequeno buraco.
Então pareceu que ela havia parado
de fazer qualquer progresso. Parecia que
ela tinha ido o mais longe que podia, e
não conseguia ir mais. Então
o homem decidiu ajudar a borboleta: ele
pegou uma tesoura e cortou o restante do
casulo. A borboleta então saiu facilmente.
Mas seu corpo estava murcho, era pequeno
e tinha as asas amassadas. O homem continuou
a bserva-la, porque ele esperava que, a
qualquer momento, as asas dela se abrissem
e esticassem para serem capazes de suportar
o corpo que iria se afirmar a tempo. Nada
aconteceu!
Na verdade, a borboleta passou o resto de
sua vida rastejando com um corpo murcho
e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de
voar.
O que o homem, em sua gentileza e vontade
de ajudar não compreendia, era que
o casulo apertado e o esforço necessário
à borboleta para passar através
da pequena abertura era o modo pelo qual
Deus fazia com que o fluido do corpo da
borboleta fosse para as suas asas, de forma
que ela estaria pronta para voar uma vez
que estivesse livre do casulo.
Algumas vezes, o esforço é
justamente o que precisamos em nossa vida.
Se Deus nos permitisse passar através
de nossas vidas sem quaisquer obstáculos,
ele nos deixaria aleijados. Nós não
iríamos ser tão fortes como
poderíamos ter sido. Nós nunca
poderíamos voar. “
Da internet
Wallace Leal Rodrigues também escreve
sobre o mesmo tema no livro “E, para
o resto da vida...” |