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Cegueira, uma Questão de Visão - Parte 2 – Visão da Arte sem Visão ( I )
Celeste Carneiro

O autor do belíssimo Concerto de Aranjuez, Joaquín Rodrigo, cego e genial, afirmava que, graças à cegueira que o acompanhou desde os três anos de idade, enxergava seu mundo interior. "A perda da visão me levou à música", dizia ele. "As pessoas cegas são mais felizes, talvez por causa deste rico mundo que permite os vôos da imaginação." (1)

Aos 97 anos de idade faleceu, deixando o mundo mais belo e enriquecido com sua vasta obra artística e cultural. Lecionava História da Música na Universidade de Madri, foi diretor musical da Rádio Espanhola e do Departamento de Artes da Organização Nacional Espanhola para os Cegos, crítico de vários jornais, muito premiado, recebendo o mais importante da Espanha, o prêmio Principe de Astúrias.

A sua obra mais conhecida, o Concerto de Aranjuez, foi levado para a Lua, em 1969, para inspirar o astronauta americano Neil Armstrong.

São notáveis também os relatos sobre pacientes com demência fronto-temporal (DFT) capazes de desenvolver habilidades artísticas surpreendentes. Geralmente os danos são no hemisfério esquerdo do cérebro e o hemisfério artístico, o direito, compensa generosamente, em especial nos savants e autistas, como é o caso do americano virtuoso musical, deficiente visual, Leslie Lemke, tocando piano com perfeição desde os 14 anos, sem nunca haver estudado piano, e o faz apesar de ser mentalmente incapaz e ser portador de paralisia cerebral. Há um vasto estudo acerca dessas pessoas realizado por Bruce L. Miller, da Universidade da Califórnia em São Francisco. (2)

Andrea Bocelli, Ray Charles, Steve Wonder, são alguns desses músicos que nos deleitam a alma com suas vozes tão expressivas e contagiante amor pela vida.

Podemos assistir ao video de Steve Wonder cantando I just called to say I love you no site:
http://br.youtube.com/watch?v=YBxNawVHX34

 

Sobre ele, corre por aí um silogismo crítico que diz: "Deus é amor. O amor é cego. Steve Wonder é cego. Steve Wonder é Deus."


Mas, nem só de músicos vive o reino obscuro dos deficientes visuais. Também podemos encontrar artistas plásticos, trabalhando com pintura, escultura, fotografia e tecelagem, assim como poetas, dançarinos, jogadores de capoeira... Na área da saúde, alguns são sensíveis massoterapeutas.

Falaremos um pouco de alguns desses artistas:



Referências:

1.Moschella, Alexandre. Uma visão interior .
http://www.alexandremoschella.com/ensaios/rodrigo.htm
2. Revista Viver Mente & Cérebro – Edição especial nº 5
3. http://www.virginiavendramini.com.br
4. http://photos.uol.com.br/materia.asp?id_materia=312http://www.ufrgs.br/jornal/setembro2001
/entrevista.html
5. http://200.156.28.7/Nucleus/media/common/Nossos_Meios_RBC_RevDez1997_Cartas.dochttp:
//www.ibc.gov.br/?catid=4&itemid=49 e rjtv.globo.com/.../0,9310,406313_10,00.JPG
6. Philippini, Ângela. Cartografias da Coragem. 3ª. Edição. Rio de Janeiro:Wak, 2004

Para saber mais:
1. http://www.institutodafelicidade.org.br/?pg=blind-artists
2. http://www.institutodafelicidade.org.br/?pg=blind

* Celeste Carneiro é terapeuta junguiana e transpessoal, arteterapeuta e professora em cursos de
pós-graduação. Possui livros e artigos publicados.

 

 
     
 
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