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ATENÇÃO,
CONCENTRAÇÃO E MEDITAÇÃO
Celeste Carneiro
Temos recebido, por diversos meios, convites
para que mantenhamos postura de atenção,
de concentração e de meditação,
a fim de que os resultados do nosso esforço
conjunto sejam satisfatórios.
Nem sempre, porém , compreendemos
o que essas palavras significam.
Edgar Armond, no livro Mediunidade, define-as
de maneira bem clara.Diz ele: "Atenção
é o ato mediante o qual a mente,
em estado receptivo e vigilante, volta-se
para dado objeto, assunto ou acontecimento,
no sentido de receber impressões
sobre eles. É um ato passivo, de
recepção de impressões
ambientes." Semelhante estado alcançamos,
quando nos deparamos com algum objeto, ou
alguma paisagem nunca vistos antes. O nosso
olhar percorre-os, apreendendo impressões
sem pensamentos preconcebidos.
Como nem sempre nos
deparamos com situações novas,
poderemos exercitar a atenção
olhando para o que nos cerca como se os
víssemos pela primeira vez, evitando
pensamentos tidos anteriormente a seu respeito.
Observemos, também, as pessoas do
nosso relacionamento, especialmente aquelas
com as quais não simpatizamos. Passemos
a vê-la sob nova óptica, sem
envolvimento emocional, descobrindo suas
qualidades e atrativos.
Exercitando a atenção, veremos
quantas coisas novas assimilamos, enriquecendo
nossa alma.
Quando, numa reunião ou aula qualquer,
por exemplo, nos conclamam a prestar atenção
a quem fala, estão querendo dizer
que, apesar de conhecermos o assunto abordado,
a nossa mente deverá estar receptiva
para compreender o tema sob nova interpretação,
com enfoque diferente.
Da mesma forma deveremos agir, quando alguém
se aproxime com intuito de conversar conosco.
Em vez de completarmos a frase (o que nem
sempre fazemos acertadamente) , deixemo-lo
falar à vontade, sem prepararmos
na mente o que iremos responder, prestando
toda atenção possível
ao interlocutor. Poderemos repetir o que
ouvimos, se quisermos, de forma sucinta,
certificando-nos se entendemos exatamente
o que nos foi dito, evitando assim mal-entendidos
que geram dissabores.
A atenção é um passo
dado para a aquisição da paz
interior.
II
Definindo
a concentração, Edgar Armond
nos fala: "Ato mental intensamente
ativo, mediante o qual focamos a mente sobre
dado ponto de interesse, com a idéia
deliberada de obter determinado efeito,
atingir determinado fim. "
Treinados em manter a mente atenta, o próximo
passo é dirigi-la para obtenção
de objetivos definidos.
Se nos encontramos numa atividade de estudo
ou num trabalho minucioso, o objetivo central
é a aprendizagem ou a desincumbência
satisfatória dessa tarefa. Desse
modo, nosso dever será o de fixar
a mente nesse objetivo, utilizando os recursos
disponíveis ao nosso alcance para
lograrmos êxito.
Existem várias técnicas para
o desenvolvimento da concentração
em livros especializados. Em nosso dia-a-dia,
sem interrupção das atividades,
poderemos treiná-la, desempenhando
atividades com o pensamento concentrado
exatamente naquilo que estamos fazendo.
Exercitemos viver o presente sem divagações
para o futuro ou para o passado.
Para quem se aborrece lavando louças,
um bom treino é tentar lavá-las
sem fazer barulho, permitindo que se ouça
apenas o som tranqüilizador da água
que cai. Quando atingirmos um bom grau de
concentração, poderemos fazer
trabalhos que costumamos executar a sós,
em meio a qualquer barulho, pois estaremos
tão concentrados naquilo que fazemos
que nada em volta nos pertubará.
E assim, galgaremos mais um degrau para
a obtenção da paz.
III
Segundo
Edgar Armond, a meditação
é o "ato psíquico segundo
o qual a mente inicialmente concentrada
em dado ponto de interesse, entra-lhe na
intimidade pela sucessão contínua
de detalhes, remontando de efeitos a causas,
de antecedentes a conseqüentes, para
afinal obter conclusões gerais, percepções
e conhecimentos de caráter integral.
"A mente segue uma esteira de análises
parciais, sem objetivo marcado, numa harmoniosa
associação de idéias,
atingindo, por fim, um resultado desconhecido,
não previsto ou concebido previamente."
Muitas são as maneiras de se fazer
meditação.
Para alguns, se faz necessário tomar
certas posturas, para outros é preciso
ouvir música lenta e uns dizem que
nada disso é imprescindível.
Joanna de Ângelis, no livro Momentos
de Meditação, diz-nos que
"a meditação deve ser
atenta, mas não tensa, rígida".
E continua: "Concentra-te, assentado
comodamente, não porém, o
suficiente para amolentar-te e conduzir-te
ao sono."
Prossegue, mais adiante, que deveremos buscar
um "lugar asseado, agradável,
se possível, que se te faça
habitual, enriquecendo-lhe a psicosfera
com a qualidade superior dos teus anelos".
E sugere que tomemos um ensinamento do Evangelho
para meditar e procurar vivenciá-lo,
perseverando sempre nesse intento até
que se torne um hábito executado
com facilidade.
Ângela Maria la Sala Batá tomou
do que foi melhor escrito sobre o assunto
por diversos autores e condensou, de forma
acessível e didática, no livro
O Espaço Interior do Homem. É
um trabalho que precisa ser lido e estudado
por tantos quantos se interessem pelo assunto.
Dentre outras coisas importantes, ela classifica
a meditação em psicológica
e espiritual.
Na primeira, iniciamos o processo com o
relaxamento do corpo físico alcançado
através de exercícios físicos
de relaxamento, fartamente divulgado por
livros e cursos de diversos orientadores.
Depois, vem a tranqüilização
do corpo emotivo ou astral, atingida pela
visualização de imagens que
inspirem calma ou utilização
de mantras e músicas. Em seguida,
passaremos para o silêncio e a calma
do corpo mental, através de concentração
e reflexão sobre um tema, até
alcançar seu significado simbólico
e universal.
Poderemos usar como tema, também,
o nosso mundo íntimo, o que somos,
nossos defeitos e conquistas, assim como
os objetivos que desejamos atingir. Nesse
ponto, passaremos para a meditação
espiritual, uma vez que atingimos o alinhamento
dos corpos inferiores.
Aprofundando, buscaremos a gradativa superação
do pensamento discursivo e a experiência
cada vez mais profunda do silêncio
mental. Os pensamentos tornam-se semelhantes
a vultos que vêm e se vão,
sem nos incomodar.
Passaremos, em seguida, a estabilização
do centro de verdadeira auto-consciência,
com a capacidade de "atenção
ativa", conseguida com a desidentificação.
Deixaremos de nos ver como personalidade
e seremos o ser espiritual, a essência
divina, que não tem nomes nem posição
social, espírito eterno, com todas
as suas aquisições e aspirações.
Aí, nossa consciência se expande
e um sentimento de amor muito profundo nos
invade, expandindo-se para toda a humanidade.
Como Deus é amor, haverá um
encontro com Ele, e nessa fusão,
nós nos rendemos e nos abandonamos
ao Divino, atingindo o ápice, o êxtase.
Nesse percurso, é comum acontecerem
encontros espirituais que nos orientam e
guiam a regiões elevadas, assim como
atingimos percepções que facilitam
o nosso viver, fortalecendo-nos interiormente.
*
Voltando
a Edgar Armond, ele nos diz que "a
atenção abre as portas da
mente para o mundo físico; a concentração
as fecha, abrindo-as para o psíquico;
a meditação penetra no âmago
das coisas pela análise, quase sempre
introspectiva, enquanto que o êxtase
desprende o Espírito do mundo material
e o arroja no campo do invisível."
Com estes exercícios atingiremos
um estado profundo de paz interior, alargando
os momentos de felicidade íntima
e irradiando esta paz para os que nos cercam,
expandindo-a, conseqüentemente, para
o mundo inteiro, num trabalho benéfico
de contágio pacificador.
E haverá, então, paz na Terra. |
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