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Arterapia nas Instituições
Celeste Carneiro
Nos
últimos anos temos feito atendimentos
individuais numa Instituição
reconhecida internacionalmente pelos serviços
prestados à comunidade. Estamos falando
da Mansão do Caminho, dirigida por
Divaldo Pereira Franco, onde trabalhamos
desde 1977.
Ela foi criada em 1952 para abrigar crianças
órfãs, acolhidas em unidades-lares
sob a orientação de uma “tia”
ou “tio” voluntários,
residentes nesses lares substitutos. Ao
longo desses 53 anos foi crescendo, ampliando
seus setores de atendimentos, abrangendo
os bairros vizinhos e tornando-se conhecida
e respeitada em vários países.
Por seus benefícios à comunidade,
principalmente à infância e
juventude, o seu idealizador, Divaldo Franco,
vem recebendo inúmeros prêmios
das mais variadas organizações
e autoridades políticas e humanitárias,
nacionais e internacionais.
A Mansão do Caminho é um conjunto
de departamentos assistenciais, situada
no bairro de Pau da Lima, um dos mais carentes
da cidade do Salvador (BA). Há muitos
cursos profissionalizantes, escolas e apoio
para toda a família, desde os recém-nascidos
até à velhice. Sobre essa
experiência pioneira no Brasil escrevemos
no livro A Veneranda Joanna de Ângelis
(Celeste Santos e Divaldo Franco).
Mais de três mil crianças são
atendidas diariamente pelas Escolas da Mansão
do Caminho e no seu Centro de Saúde
são centenas de famílias do
bairro e adjacências que buscam seus
serviços todos os dias.
A grande maioria de crianças que
são encaminhadas para o trabalho
de arteterapia, têm dificuldade de
aprendizagem. Algumas com problemas neurológicos,
outras sofrendo o efeito da desestruturação
familiar, ou da violência em casa
e nas proximidades do lugar onde vivem.
O acolhimento carinhoso, o trabalho com
pintura, desenho, colagem, acompanhados
de músicas especiais para estimular
a organização, a tranqüilidade
e aumentar a clareza mental, têm surtido
um grande efeito.
Aplicamos as técnicas desenvolvidas
no curso que criamos Criatividade e Cérebro,
acolhemos com uma escuta atenciosa e, às
vezes, aplicamos a Terapia Energética,
diminuindo suas dores físicas e emocionais.
Uma das técnicas que tem surtido
um efeito surpreendente é o trabalho
com mandalas.
Aliado a isso, executamos ginástica
cerebral – movimentos em determinados
pontos do corpo, buscando o equilíbrio
entre os hemisférios cerebrais e
estimulando determinadas regiões
do encéfalo.
Essas experiências estão relatadas
no recente livro que publicamos: Criatividade
e Cérebro – Um Jeito de Fazer
ArteZen.
A outra Instituição da qual
sou membro participante, a Sociedade Hólon,
fundada no final da década de 70
do século passado, tem como proposta,
que vem sendo realizada, “desenvolver
projetos educacionais de integração
do saber; colaborar na construção
da consciência de cidadania, fundamentada
na harmonia do intelecto e do sentimento;
criar e gerenciar estruturas para atuação
nas áreas de saúde, educação,
assistência social, cultura, esporte
e lazer, cidadania, comunicação
social, habitação e urbanismo,
economia e artes, entre outras, compatíveis
com os princípios da Sociedade
HÓLON; atuar no sentido
de promover os valores fundamentais do ser
humano e o autoconhecimento, acreditando
que a Ciência, a Filosofia, a Arte
e a Religião podem ser integradas
numa vivência de totalidade”.
A maioria dos seus participantes são
jovens universitários e adultos atuantes
nas mais diversas áreas da sociedade.
Nesta Instituição damos o
curso Criatividade e Cérebro, assim
como o Mandalas – A Arte de Centrar-se
e Criatividade na Empresa. Também
atuamos como docente nos cursos de pós-graduação
em Psicologia Transpessoal aplicada à
Educação e à Gestão
de Pessoas, dentre outros, e fazemos atendimentos
de Arteterapia.
O efeito desse trabalho tem sido surpreendente,
conforme mostram os gráficos, num
apanhado dos últimos doze anos com
esse tipo de atividade. No primeiro gráfico
os alunos foram registrando as mudanças
observadas durante o período que
participavam do curso Criatividade e Cérebro.
No segundo gráfico, evidenciamos
os aspectos em que houve uma alteração
maior, dentro de uma escala: melhorei um
pouco; melhorei muito; e mudança
surpreendente. O desempenho escolar e o
aumento da auto-estima foram os itens que
contaram com o maior índice de mudança
surpreendente.
É um estímulo ao aprofundamento
da pesquisa sobre o efeito da Arte no desenvolvimento
do potencial humano, a fim de atingirmos
índices cada vez melhores.
Bibliografia:
Carneiro,
Celeste. Criatividade e Cérebro –
Um Jeito de Fazer ArteZen. Salvador, Editora
Ponto e Vírgula, 2004.
Carvalho, Maria Margarida M. J. de. A arte
cura? Campinas (SP), Editora Psy II, 1995.
Kast, Verena. A dinâmica dos símbolos.
São Paulo, Edições
Loyola, 1997a.
__________ A imaginação como
espaço de liberdade. São Paulo,
Edições Loyola, 1997b.
Mèredieu, Florence de. O Desenho
Infantil. São Paulo, Editora Cultrix,
7ª edição, 2000.
Rhyne, Janie. Arte e Gestalt – padrões
que convergem. São Paulo, Summus
Editorial, 2000.
Rogers, Carl. Tornar-se pessoa. São
Paulo, Editora Martins Fontes, 3ª.
edição, 1978.
Santos, Celeste / Franco, Divaldo. A Veneranda
Joanna de Ângelis. Salvador, Editora
LEAL, 9ª edição, 2004.
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